O DRAMA DE CANUDOS – 30/07/1967 ESTREIA. 30/07/2017 CINQUENTA ANOS

HÁ CINQUENTA ANOS – TEM E O DRAMA DE CANUDOS

 

Cartaz Canudos001

A capa desta revista editada pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura reproduz o cartaz da peça

Quando a peça “Tiradentes em tempo de inconfidência” foi proibida pelo DEPARTAMENTO DE ORDEM POLITICA E SOCIAL, o famigerado DOPS, minha atenção se voltou para um tema que me era muito caro: o messianismo no Brasil.

Nos anos 60 líamos muito sobre os levantes populares e os vários movimentos messiânicos no sul e no nordeste do Brasil. “Cangaceiros e Fanáticos” de Rui Facó falava de duas vertentes para as revoltas populares: a  revolta armada e sem nenhuma conotação ideológica dos cangaceiros, cujo maior nome foi o de Lampião, e as revoltas lideradas por carismáticos pregadores e demiurgos populares, cujo maior nome é sem dúvida o de Antonio Mendes Maciel, o CONSELHEIRO.

Entusiasmado com a leitura de “OS SERTÕES”, de Euclides da Cunha, sugeri que montássemos uma peça a respeito deste tema. A ideia aprovada pela diretoria, foi amadurecendo e, enquanto tratávamos da montagem de ‘A EXCEÇÃO E A REGRA”, de Bertolt Brecht, íamos estudando o tema.

Durante a semana íamos à Biblioteca Pública de São Paulo e lá buscávamos subsídios para a criação da peça, o que se tornaria um grande desafio diante do grande sucesso de A EXCEÇÃO E A REGRA.

De posse de todos os subsídios colhidos eu precisava encontrar uma forma para levar a história ao palco. A história era razoavelmente conhecida. Mais conhecido ainda era o fim trágico que todos os movimentos messiânicos haviam experimentado. Foi assim que surgiu a ideia de fazer de Canudos uma tragédia grega, colocando em meio ao sertão e aos movimentos de guerra um coro para ilustrar, esclarecer e encaminhar a história de Antonio Conselheiro, o líder do Drama de Canudos.

Pronto o texto começamos a trabalhar na montagem, tendo a direção sido entregue ao Armando Sérgio da Silva, e incumbida de fazer as músicas a dupla Miguel Colella Neto e Marco Antônio Rodrigues Nahum com letras minhas e deles.

Com as leituras fomos aprimorando o texto e selecionando o elenco (abrimos inscrições para quem quisesse participar da aventura e tivemos muita sorte com os novos elementos que selecionamos).

Me lembro que havia escrito a cena da peregrinação dos crentes rumo a Canudos com no  mínimo  três páginas, mas a montagem estava muito complicada. Analisando a situação vi que precisava atender os reclamos e sugestões da direção e do elenco e sintetizar a ideia. Depois de muito pensar entreguei ao Miguel uma letrinha muito simples, como as que havia escrito para A EXCEÇÃO E A REGRA, e a bela música resumiu as três ou quatro páginas. Vejam a letra e a síntese nela contida:

É longa a jornada,

Muito sol e muita pedra

No caminho do sertão.

Difícil são os passos

De quem luta pra vencer

Mas no fim de seu caminho

Pão e mel encontrará.

Há força e não há medo

No peito de todo homem

Que sabe aonde quer chegar.

Enquanto trabalhávamos o texto e antes que iniciássemos a montagem, um fato importante acontecia.

Em entrevista recente à jornalista Vanice Assaz, para este BLOG , Fernando Antonio de Souza contou como se aproximou do grupo em 1.966:

Além disso, fazia parte do Lions Club, onde se aventou a possibilidade de alguém se aproximar do grupo teatral e do Geup (Grêmio Estudantil Ubaldo Pereira) do Instituto de Educação Dr. Washington Luís, onde a maioria dos jovens estudava e atuava.

“A ideia do pessoal do Lions era dar uma cobertura e uma ajuda, caso fosse necessária, na eventualidade de algum problema mais sério. Como eu era formado em artes plásticas, o clube me escolheu e me aproximei do grupo que na época estava mais centrado em shows”, conta Fernando.

Fernando Antonio de Souza era presidente do TEM e, tinha a missão de alterar  o caminho que o grupo vinha seguindo de enfrentamento cultural com a situação reinante, e queria que montássemos, após A EXCEÇÃO E A REGRA, uma peça clássica de Garcia Lorca. Felizmente vínhamos trabalhando no texto há muito tempo e decidimos leva-lo à cena.

Significativa e importante foi a matéria feita por Francisco Ornellas para O DIARIO DE MOGI publicada em 06 de agosto, logo após a estreia em 30 de julho de 1967: O SIM E O NÃO DE CANUDOS, com depoimentos  do Dr. Jair da Rocha Batalha, advogado, professor e político e do Dr. Aziz Anzarah Rizzek, médico pediatra e intelectual mogiano.

Ano 1967020

Embora não tenhamos vencido o festival de teatro amador de 1.967, em que nos apresentamos em 6 de agosto de 67, ficando em segundo lugar, a peça obteve muito sucesso e foi apresentada em várias cidades do interior paulista.

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Em 1969 participamos da SEMANA EUCLIDES DA CUNHA, um acontecimento cultural de importância Nacional, realizado em Piracicaba, e da SEMANA EUCLIDIANA de  São José do Rio Pardo. Veja-se o que disse O DIÁRIO DE PIRACICABA sobre nossa apresentação:

Ano 1969022

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A peça foi montada pelo TEM duas vezes com dois elencos e as duas montagens obtiveram grande sucesso. Foi montada também pelo grupo Raízes de Teatro e fez grande sucesso no Vale do Paraíba.

Porém, neste ano, ao invés de inscrever “O DRAMA DE CANUDOS”, no Festival da Guanabara, que havíamos vencido em 1966, a diretoria resolveu participar novamente com “A EXCEÇÃO E A REGRA”, levando para o certame mais do mesmo, frustrando a expectativa de vários grupos que esperavam que levássemos alguma novidade para o RIO, o resultado foi ruim.

GALERIA DE FOTOS DE CANUDOS

 

 ensaio de Canudos (5)  Ensaio de Canudos (15)
Ensaio de Canudos (12)  Ensaio de Canudos (11)
 Ensaio de Canudos (10)  

 

Primeiros ensaios no Itapeti Clube.

 

 

 

Programa da peça, primeira montagem.

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 Ensaio de Canudos no liceu Braz Cubas (7)Ensaio de Canudos (18) Ensaio de Canudos (16)

 

 

Fotos da primeira montagem

 

 

 Ensaio de Canudos (14)  Ensaio de Canudos (9)
 Ensaio de Canudos (13)  Ensaio de Canudos (4)
 Ensaio de Canudos (2)  Ensaio de Canudos (6)
 Ensaio de Canudos (17)  

 

FOTOS DA SEGUNDA MONTAGEM.

Para nossa apresentação no Teatro do TUCA, na Pontifícia Universidade Católica, em São Paulo, a peça foi submetida à censura da direção da universidade com observações, mas sem proibição.

Capa Canudos004

A cena não foi cortada. Quem não conhecia o Concílio Vaticano II e Gaudium et spes, era a igreja da época. O Clero tinha enorme influência no tempo de Canudos e era inegável a sua relação com os poderosos da época, o que explica a influência de Antônio Conselheiro entre o povo.

Cartaz para apresentação em Piracicaba e meus desenhos, estes eram distrações diante de algumas dificuldades do texto.

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Passados 50 anos as imagens de “O DRAMA DE CANUDOS” permanecem na memória dos que participaram das encenações e dos que assistiram aos belos espetáculos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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