O DRAMA DE CANUDOS – 30/07/1967 ESTREIA. 30/07/2017 CINQUENTA ANOS

HÁ CINQUENTA ANOS – TEM E O DRAMA DE CANUDOS

 

Cartaz Canudos001

A capa desta revista editada pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura reproduz o cartaz da peça

Quando a peça “Tiradentes em tempo de inconfidência” foi proibida pelo DEPARTAMENTO DE ORDEM POLITICA E SOCIAL, o famigerado DOPS, minha atenção se voltou para um tema que me era muito caro: o messianismo no Brasil.

Nos anos 60 líamos muito sobre os levantes populares e os vários movimentos messiânicos no sul e no nordeste do Brasil. “Cangaceiros e Fanáticos” de Rui Facó falava de duas vertentes para as revoltas populares: a  revolta armada e sem nenhuma conotação ideológica dos cangaceiros, cujo maior nome foi o de Lampião, e as revoltas lideradas por carismáticos pregadores e demiurgos populares, cujo maior nome é sem dúvida o de Antonio Mendes Maciel, o CONSELHEIRO.

Entusiasmado com a leitura de “OS SERTÕES”, de Euclides da Cunha, sugeri que montássemos uma peça a respeito deste tema. A ideia aprovada pela diretoria, foi amadurecendo e, enquanto tratávamos da montagem de ‘A EXCEÇÃO E A REGRA”, de Bertolt Brecht, íamos estudando o tema.

Durante a semana íamos à Biblioteca Pública de São Paulo e lá buscávamos subsídios para a criação da peça, o que se tornaria um grande desafio diante do grande sucesso de A EXCEÇÃO E A REGRA.

De posse de todos os subsídios colhidos eu precisava encontrar uma forma para levar a história ao palco. A história era razoavelmente conhecida. Mais conhecido ainda era o fim trágico que todos os movimentos messiânicos haviam experimentado. Foi assim que surgiu a ideia de fazer de Canudos uma tragédia grega, colocando em meio ao sertão e aos movimentos de guerra um coro para ilustrar, esclarecer e encaminhar a história de Antonio Conselheiro, o líder do Drama de Canudos.

Pronto o texto começamos a trabalhar na montagem, tendo a direção sido entregue ao Armando Sérgio da Silva, e incumbida de fazer as músicas a dupla Miguel Colella Neto e Marco Antônio Rodrigues Nahum com letras minhas e deles.

Com as leituras fomos aprimorando o texto e selecionando o elenco (abrimos inscrições para quem quisesse participar da aventura e tivemos muita sorte com os novos elementos que selecionamos).

Me lembro que havia escrito a cena da peregrinação dos crentes rumo a Canudos com no  mínimo  três páginas, mas a montagem estava muito complicada. Analisando a situação vi que precisava atender os reclamos e sugestões da direção e do elenco e sintetizar a ideia. Depois de muito pensar entreguei ao Miguel uma letrinha muito simples, como as que havia escrito para A EXCEÇÃO E A REGRA, e a bela música resumiu as três ou quatro páginas. Vejam a letra e a síntese nela contida:

É longa a jornada,

Muito sol e muita pedra

No caminho do sertão.

Difícil são os passos

De quem luta pra vencer

Mas no fim de seu caminho

Pão e mel encontrará.

Há força e não há medo

No peito de todo homem

Que sabe aonde quer chegar.

Enquanto trabalhávamos o texto e antes que iniciássemos a montagem, um fato importante acontecia.

Em entrevista recente à jornalista Vanice Assaz, para este BLOG , Fernando Antonio de Souza contou como se aproximou do grupo em 1.966:

Além disso, fazia parte do Lions Club, onde se aventou a possibilidade de alguém se aproximar do grupo teatral e do Geup (Grêmio Estudantil Ubaldo Pereira) do Instituto de Educação Dr. Washington Luís, onde a maioria dos jovens estudava e atuava.

“A ideia do pessoal do Lions era dar uma cobertura e uma ajuda, caso fosse necessária, na eventualidade de algum problema mais sério. Como eu era formado em artes plásticas, o clube me escolheu e me aproximei do grupo que na época estava mais centrado em shows”, conta Fernando.

Fernando Antonio de Souza era presidente do TEM e, tinha a missão de alterar  o caminho que o grupo vinha seguindo de enfrentamento cultural com a situação reinante, e queria que montássemos, após A EXCEÇÃO E A REGRA, uma peça clássica de Garcia Lorca. Felizmente vínhamos trabalhando no texto há muito tempo e decidimos leva-lo à cena.

Significativa e importante foi a matéria feita por Francisco Ornellas para O DIARIO DE MOGI publicada em 06 de agosto, logo após a estreia em 30 de julho de 1967: O SIM E O NÃO DE CANUDOS, com depoimentos  do Dr. Jair da Rocha Batalha, advogado, professor e político e do Dr. Aziz Anzarah Rizzek, médico pediatra e intelectual mogiano.

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Embora não tenhamos vencido o festival de teatro amador de 1.967, em que nos apresentamos em 6 de agosto de 67, ficando em segundo lugar, a peça obteve muito sucesso e foi apresentada em várias cidades do interior paulista.

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Em 1969 participamos da SEMANA EUCLIDES DA CUNHA, um acontecimento cultural de importância Nacional, realizado em Piracicaba, e da SEMANA EUCLIDIANA de  São José do Rio Pardo. Veja-se o que disse O DIÁRIO DE PIRACICABA sobre nossa apresentação:

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A peça foi montada pelo TEM duas vezes com dois elencos e as duas montagens obtiveram grande sucesso. Foi montada também pelo grupo Raízes de Teatro e fez grande sucesso no Vale do Paraíba.

Porém, neste ano, ao invés de inscrever “O DRAMA DE CANUDOS”, no Festival da Guanabara, que havíamos vencido em 1966, a diretoria resolveu participar novamente com “A EXCEÇÃO E A REGRA”, levando para o certame mais do mesmo, frustrando a expectativa de vários grupos que esperavam que levássemos alguma novidade para o RIO, o resultado foi ruim.

GALERIA DE FOTOS DE CANUDOS

 

 ensaio de Canudos (5)  Ensaio de Canudos (15)
Ensaio de Canudos (12)  Ensaio de Canudos (11)
 Ensaio de Canudos (10)  

 

Primeiros ensaios no Itapeti Clube.

 

 

 

Programa da peça, primeira montagem.

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 Ensaio de Canudos no liceu Braz Cubas (7)Ensaio de Canudos (18) Ensaio de Canudos (16)

 

 

Fotos da primeira montagem

 

 

 Ensaio de Canudos (14)  Ensaio de Canudos (9)
 Ensaio de Canudos (13)  Ensaio de Canudos (4)
 Ensaio de Canudos (2)  Ensaio de Canudos (6)
 Ensaio de Canudos (17)  

 

FOTOS DA SEGUNDA MONTAGEM.

Para nossa apresentação no Teatro do TUCA, na Pontifícia Universidade Católica, em São Paulo, a peça foi submetida à censura da direção da universidade com observações, mas sem proibição.

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A cena não foi cortada. Quem não conhecia o Concílio Vaticano II e Gaudium et spes, era a igreja da época. O Clero tinha enorme influência no tempo de Canudos e era inegável a sua relação com os poderosos da época, o que explica a influência de Antônio Conselheiro entre o povo.

Cartaz para apresentação em Piracicaba e meus desenhos, estes eram distrações diante de algumas dificuldades do texto.

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Passados 50 anos as imagens de “O DRAMA DE CANUDOS” permanecem na memória dos que participaram das encenações e dos que assistiram aos belos espetáculos.

 

 

 

 

 

 

 

 

JOSÉ RALF homenageado com denominação do Auditório do antigo Liceu Braz cubas

12-jose-ralf-de-oliveira-campos-01Por iniciativa do Vereador Protássio Nogueira, o auditório do antigo Liceu Braz Cubas, onde nos apresentamos pela segunda vez com o Show TEM POESIA E BOSSA, em 1.965 e onde estreamos a peça A EXCEÇÃO E A REGRA, receberá a denominação de AUDITÓRIO JOSÉ RALF DE CAMPOS. Como sabemos, Ralf foi presidente do TEM entre 1.967 e 1.968, quando substituiu a Antonio Fernando de Souza. Na foto o público que prestigiou a segunda apresentação de TEM POESIA E BOSSA, pode-se, além de reconhecer alguns dos presentes, nota que o auditório estava lotado. Aqui o link para conhecimento da mmoção feita pela vereador e que aguarda a assinatura do senhor prefeito Municipal  protassio-solicita-denominacao-de-auditorio

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50 ANOS DE “A EXCEÇÃO E A REGRA”

Há 50 anos subimos ao palco do Liceu Braz Cubas para, ousadamente, apresentar um texto de Bertolt Brecht. Autor que mal conhecíamos e que nos fora indicado por Antonio Benetazzo, nosso amigo desde os tempos do Instituto de educação Dr. Washington Luiz. Ousadia pura! A experiência do grupo não passava de ensaios de “Tiradentes em tempos de inconfidência” e shows musicais. Mal sabíamos que aquele dia seria o da afirmação do grupo. O sucesso durou pelo menos dois anos e foi expressivo. Ao comemorar os 50 anos, o TEATRO EXPERIMENTAL MOGIANO homenageou os que participaram da estréia com um diploma comemorativo e um álbum fotográfico com 9 fotos tiradas há 50 anos.Presença honrosa de vários amigos e, principalmente do vereador Protássio Nogueira. Na ocasião, o vereador falou sobre o projeto encaminhado à Prefeitura Municipal dando o nome de JOSÉ RALF DE CAMPOS ao auditório do antigo Liceu Braz Cubas, local da estréia da peça. Ralf foi presidente do TEM de fins de 1967 a 1968. Aprovado o projeto do vereador vamos organizar no local um memorial do TEM.

 

Novos Estatutos do TEM

Sábado, dia 30 de abril de 2016 serão realizadas assembleias Gerais Ordinária e Extraordinária para eleição da diretoria e votação do novo estatuto do TEM, para conhecimento de todos eis o projeto que será discutido;

ESTATUTO SOCIAL DO TEATRO EXPERIMENTAL MOGIANO –

TEM

 

Capítulo I – Da Denominação, Sede, Fins e Duração

 

Artigo 1º – Constitui-se, sob a denominação de TEATRO EXPERIMENTAL MOGIANO – TEM, pessoa jurídica de direito privado, sob forma de associação civil sem fins lucrativos e com fins não econômicos, sem finalidade política ou religiosa, regida pelo presente Estatuto e pelas demais disposições legais.

 

Artigo 2º – A sede da associação será obrigatoriamente no Município de Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo, em local aprovado pela Assembleia Geral dos associados.

Artigo 3º – A associação terá como finalidades:

  1. promover ações em prol das artes cênicas e manter contatos com os poderes públicos, autarquias e empresas privadas, visando o desenvolvimento da arte teatral e a criação de mecanismos para aproximar o público do teatro;
  2. promover apresentações teatrais, e a realização de eventos culturais tais como cursos, palestras, seminários, concursos, exposições, congressos, e encontros, bem como a participação nos eventos promovidos por outras associações ou pelo poder público;
  3. celebrar convênios com instituições culturais, públicas ou privadas, visando a divulgação e o desenvolvimento da arte e da cultura.

 

Artigo 4º – Poderão ser utilizados todos os meios adequados e permitidos na Lei para consecução das finalidades, podendo-se, inclusive, desenvolver outras atividades acessórias voltadas ao desenvolvimento dos objetivos institucionais por meio de: execução direta de projetos, programas ou planos de ações; celebração de convênios, contratos ou outros instrumentos jurídicos; cessão de recursos físicos, ou prestação de serviços intermediários de apoio a outras organizações sem fins lucrativos e a órgãos do setor público que atuam em áreas afins.

 

Artigo 5º A fim de cumprir suas finalidades, a associação se organizará em tantas unidades de prestação de serviços, quantas se fizerem necessárias, as quais se regerão pelas disposições estatutárias e regimentais.

 

Parágrafo Único: A associação poderá ter um Regimento Interno que, aprovado pela Assembleia Geral, disciplinará o seu funcionamento.

 

Artigo 6º – No desenvolvimento de suas atividades serão observados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e da eficiência, sem qualquer discriminação de raça, cor, gênero ou religião.

 

Artigo 7º – O tempo de duração da associação é indeterminado.

 

Capítulo II – Dos Associados

 

Artigo 8º – São associados todos aqueles que, sem impedimentos legais, forem admitidos como tais, sendo aprovados pela Diretoria ou pela Assembleia Geral  da associação.

Parágrafo 1° – São considerados sócios vitalícios os seguintes fundadores do TEM: Américo Yoshinaga, Armando Sérgio da Silva, Clarice Jorge, Eduardo Unello, Eládia Maria Morales Cruz Faria, Flavio Benedicto Viana, Jonas Cardoso Pereira, José Cardoso Pereira, Lauro Juk, Marco Antonio Rodrigues Nahum, Miguel Colella Neto, Milton Feliciano de Oliveira, Nelson Júdice Muniz, Sérgio Roberto Correa e Valter Padgurschi.

 

Parágrafo 2º – São considerados sócios ativos os que assim foram aprovados, em razão de sua participação pessoal e direta nas atividades da associação.

Parágrafo 3º – São considerados sócios contribuintes os que colaborarem com as finanças da associação mediante o pagamento de taxa mensal que poderá ser criada pela Diretoria Executiva e estabelecida a cada período fiscal.

 

Artigo 9º – São direitos dos associados:

I – participar gratuitamente das atividades da associação;

II – tomar parte nas assembleias gerais com igual direito de voto; e

III – votar e ser votado para os cargos da Administração.

 

Artigo 10 – São deveres dos associados:

I – respeitar e cumprir as decisões das assembleias e demais órgãos dirigentes da associação,  e

II – cumprir e fazer cumprir o Estatuto e demais disposições internas.

 

Artigo 11 – Os associados não respondem, nem mesmo subsidiariamente, pelas obrigações constituídas pela associação.

 

Artigo 12 – Os associados perderão seus direitos:

I – se deixarem de cumprir quaisquer de seus deveres;

II – se infringirem qualquer disposição estatutária, regimento ou qualquer decisão dos órgãos sociais;

III – se praticarem atos nocivos ao interesse da associação;

IV – se praticarem qualquer ato que implique em desabono ou descrédito da associação ou de seus membros;

V  – se deixarem de participar ativamente da mesma pelo prazo de um ano;  e

VI – se praticarem atos ou valerem-se do nome da associação para tirar proveito patrimonial ou pessoal, para si ou para terceiros.

Parágrafo Único – Em qualquer das hipóteses previstas acima, além de perderem seus direitos, os associados poderão ser excluídos da associação por decisão da Diretoria, cabendo recurso à Assembleia Geral, que decidirá, por maioria de votos, sobre a exclusão do associado, em Assembleia especialmente convocada para esse fim.

 

Artigo 13 – Qualquer associado poderá, por iniciativa própria, desligar-se do quadro social da entidade, sem a necessidade de declinar qualquer justificativa ou motivação específica, a qualquer tempo, bastando para isso, manifestação expressa e por escrito, através do endereçamento à entidade, de carta datada e assinada.

 

Capítulo III – Da Administração

 

 

Artigo 14 – A associação será administrada pelos seguintes órgãos:

I – Assembleia Geral;

II – Diretoria Executiva; e

III – Conselho Fiscal.

Parágrafo 1º – Os dirigentes que atuarem diretamente na gestão executiva da entidade poderão ser remunerados, desde que a Assembleia Geral assim autorizar,  respeitados os valores praticados pelo mercado.

Parágrafo 2° – A associação adotará práticas de gestão administrativa, necessárias e suficientes a coibir a obtenção, de forma individual ou coletiva, de benefícios ou vantagens pessoais em decorrência da participação em sua gestão.

 

Seção I – Da Assembleia Geral

 

Artigo 15 – A Assembleia Geral é órgão máximo e soberano da vontade social e será constituída pelos associados em pleno gozo de seus direitos estatutários.

 

Artigo 16 – Compete à Assembleia Geral:

I – eleger os membros da Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal;

II – destituir os membros da Diretoria Executiva ou do Conselho Fiscal;

III – aprovar a admissão e exclusão dos associados da entidade, concorrentemente com a Diretoria Executiva;

IV – alterar o estatuto; e

V – apreciar o relatório da Diretoria Executiva e decidir sobre a aprovação das contas e balanço anual.

 

Parágrafo 1º – Para as atribuições previstas nos incisos II e IV é necessário o voto concorde de dois terços dos presentes à assembléia geral especialmente convocada para este fim, não podendo ela deliberar, em primeira convocação, sem a maioria absoluta dos associados, ou com menos de um terço nas convocações seguintes.

Parágrafo 2º – a aprovação das contas, prevista no inciso V, deverá atentar para a observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade, bem como demais disposições previstas em lei.

 

Artigo 17 – A Assembleia Geral reunir-se-á, ordinariamente, no primeiro trimestre de cada ano para:

I – aprovar as contas da Diretoria Executiva;

II – eleger os membros da Diretoria e do Conselho Fiscal, quando for o caso; e

III – aprovar o relatório de atividades e elaborar o planejamento para o exercício seguinte.

 

Artigo 18 – A Assembleia Geral reunir-se-á, extraordinariamente, quando houver interesses da associação que exigirem o pronunciamento dos associados e para os fins previstos por lei, bem como nos seguintes casos:

I – reforma do estatuto;

II – eleição de membros da Diretoria ou do Conselho Fiscal, por renúncia daqueles em exercício; e

III – destituição de administradores ou conselheiros.

 

Artigo 19 – A Assembleia Geral será convocada para fins determinados, mediante prévio e geral anúncio, através de edital afixado na sede da entidade, por circulares ou outros meios adequados, com antecedência mínima de 15 (quinze) dias, sendo garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovê-la.

 

Parágrafo único – A Assembleia instalar-se-á em primeira convocação com maioria absoluta dos associados e, em segunda convocação, decorridos trinta minutos, com qualquer número, e as deliberações serão tomadas por maioria simples dos associados presentes, salvo exceções previstas por este Estatuto.

 

 

Seção II – Da Diretoria Executiva

 

Artigo 20 – A Diretoria Executiva será constituída por um Diretor Presidente, um Diretor Vice-Presidente, um Diretor Primeiro-Secretário, um Diretor Segundo-Secretário, um Diretor Primeiro-Tesoureiro e um Diretor Segundo-Tesoureiro, devidamente eleitos pela Assembléia Geral dentre os sócios aprovados, para o mandato de 2 (dois) anos, podendo haver uma reeleição sucessiva por igual período e não havendo limite para reeleições não sucessivas.

 

Parágrafo Único – Excepcionalmente, o mandato da primeira Diretoria Executiva  eleita após a aprovação  do  presente estatuto iniciar-se-á em 6 de maio de 2016 e se estenderá até 31 de março de 2018.

 

Artigo 21 – Compete a Diretoria Executiva:

I- elaborar programa anual de atividades e executá-lo;

II- elaborar e apresentar, à Assembleia Geral, o relatório anual;

III- entrosar-se com instituições públicas e privadas, para mútua colaboração em atividades de interesses comum;

IV- convocar a Assembleia Geral;

V – contratar e demitir funcionários;

VI – praticar atos da gestão administrativa; e

VII – praticar outras funções que lhes forem atribuídas pelo respectivo regimento, aprovadas pela Assembleia Geral.

 

Artigo 22 – Compete ao  Diretor Presidente:

I – cumprir e fazer cumprir este estatuto;

II – presidir a Assembléia Geral;

III – convocar e presidir as reuniões da Diretoria; e

IV – dirigir e supervisionar todas as atividades da associação, podendo, para tanto, admitir e dispensar empregados, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, bem como, contratar a locação de serviços de trabalhadores eventuais e sem vínculo empregatício, quando for o caso.

 

Artigo 23 – Compete ao Diretor Vice-Presidente substituir o Diretor Presidente em suas faltas e impedimentos temporários e auxiliá-lo na consecução de suas atribuições.

 

Artigo 24 – Compete ao Diretor Primeiro-Secretário:

I – auxiliar o Diretor Presidente no gerenciamento das atividades administrativas   da associação;

II – promover a convocação, a pedido do Presidente, ou dos sócios, das Assembleias Gerais Ordinárias e Extraordinárias;

III – instalar as Assembleias após verificação do quórum necessário, conforme caput e parágrafo único do artigo 19 deste estatuto;

IV – após a instalação passar a coordenação dos trabalhos ao Presidente em exercício; e

V – secretariar e lavrar as atas das Assembleias Gerais e promover seu registro no cartório competente.

 

Artigo 25 – Compete ao Diretor Segundo-Secretário:

I – lavrar as atas das reuniões da Diretoria Executiva; e

II – substituir o Diretor Primeiro-Secretário em suas faltas e impedimentos temporários e auxiliá-lo em suas atividades.

 

  Artigo 26–  Compete ao Diretor Primeiro-Tesoureiro:

I – auxiliar o Diretor Presidente no gerenciamento das atividades contábeis da associação;

II – arrecadar e contabilizar auxílios e donativos em dinheiro ou em espécie, mantendo em dia a escrituração, toda comprovada;

III – pagar as contas das despesas autorizadas pelo Diretor Presidente;

IV – apresentar relatórios de receita e despesas, sempre que forem solicitados;

V – apresentar relatório financeiro para ser submetido à Assembléia Geral; e

VI – conservar sob sua guarda e responsabilidade, o numerário e documentos relativos à tesouraria, inclusive contas bancárias.

 

Artigo 27 –  Compete ao Diretor Segundo-Tesoureiro substituir o Diretor Primeiro-Tesoureiro em suas faltas e impedimentos temporários e auxiliá-lo em suas atividades.

 

Artigo 28 – Caberá ao Diretor Presidente, em conjunto com o Diretor Primeiro- Tesoureiro, representar a sociedade ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente, inclusive para movimentação de conta bancária, ficando expressamente vedado o uso do nome da associação para qualquer fim estranho às suas finalidades, como fianças, avais ou quaisquer outros atos de favor.

 

Seção III – Do Conselho Fiscal

 

Artigo 29 – O Conselho Fiscal compor-se-á de 3 (três) membros efetivos, eleitos pela assembleia geral da associação, sendo seu mandato coincidente com o mandato da Diretoria.

 

Artigo 30 – O Conselho Fiscal tem as atribuições e os poderes que são conferidos por lei, sendo competente, dentre outras atribuições, para:

I – opinar sobre os relatórios de desempenho financeiro e contábil e sobre as operações patrimoniais realizadas, emitindo pareceres para os organismos superiores da entidade, devendo a Diretoria Executiva prestar todas as informações solicitadas;

II – examinar as contas da Diretoria Executiva no final de cada exercício, submetendo-as à aprovação da Assembleia Geral;

III – auxiliar a Diretoria, sempre que solicitado;

IV – sugerir a contratação e acompanhar o trabalho de eventuais auditores externos independentes; e

V – convocar extraordinariamente a Assembleia Geral.

 

Artigo 31 – Os membros do Conselho Fiscal desempenharão as suas funções e atribuições sem remuneração, podendo, no entanto, receber reembolso de despesas realizadas comprovadamente no exercício de suas atribuições.

 

Capítulo IV – Do Patrimônio e da Dissolução

 

Artigo 32 – O patrimônio da associação será constituído por eventual doação inicial dos associados e pelos bens móveis e imóveis e direitos que venham a ser acrescentados por meio de doações de pessoas físicas, de pessoas jurídicas de direito privado e de pessoas jurídicas de direito público; prestações de serviços; aplicação de receitas e outras fontes; convênios, apoios e financiamentos, desde que não incompatíveis com o livre desenvolvimento das atividades da associação.

 

Artigo 33 – A associação não distribuirá, entre seus sócios e associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades e os aplicará integralmente na consecução do seu objetivo social.

 

Artigo 34Todo patrimônio e receitas da associação deverão ser destinados aos objetivos a que destina a entidade, ressalvados os gastos despendidos e bens necessários a seu funcionamento.

 

Artigo 35 – A realização de alienação, hipoteca, penhor, venda ou troca dos bens patrimoniais da associação somente poderá ser decidida por aprovação da maioria absoluta da assembleia geral extraordinária, convocada especificamente para tal fim.

 

Artigo 36 – A associação poderá ser extinta por deliberação dos associados, em qualquer tempo, desde que seja convocada uma assembleia geral extraordinária para tal fim, que deverá observar as regras previstas para a convocação de assembleias gerais extraordinárias, dando-se ao patrimônio da entidade a destinação que a assembleia estabelecer.

 

 

Capítulo V – Do Exercício Social

 

Artigo 37 – O exercício social terá a duração de um ano, iniciando-se em 1º de janeiro e terminando em 31 de dezembro de cada ano.

 

Artigo 38 – Ao fim de cada exercício social, a Diretoria elaborará, com base na escrituração contábil da associação, um balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício e uma demonstração das origens e aplicações de recursos.

 

Capítulo VI – Disposições Gerais

 

Artigo 39 – Os casos omissos serão resolvidos pela Diretoria Executiva e referendados pela Assembleia Geral.

 

Artigo 40 – Fica eleito o Foro da Comarca de Mogi das Cruzes, no Estado de São Paulo, para qualquer ação fundada neste estatuto.

                                              

                                                           Mogi das Cruzes,    de abril de 2016.

 

                                                          

 

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Visto do advogado

 

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Diretor Presidente

 

 

 

 

 

 

Um texto emocionado sobre o show dos 50 anos

Irmã do ator José Carlos Moreno, já falecido, Lúcia Helena de Oliveira Moreno esteve no show dos 50 anos do TEM (Teatro Experimental Mogiano) , no dia 15 de novembro, no Teatro Vasques, e enviou ao blog o texto emocionado e que publicamos com muito prazer e agradecimentos:

“Comemorar 50 anos de cultura e amizade é para poucos e entre estes poucos tive a oportunidade de participar com a platéia que lotou o Teatro Vasques em uma noite inesquecível.

plateia do show TEM

Lúcia Helena de Oliveira Moreno estava na plateia que lotou o Vasques

 

O show do Jubileu de Ouro do TEM ficará gravado na memória dos mogianos.   A calorosa noite de 15 de novembro de 2015 começa com a trupe cantando Canção da América de Milton Nascimento e Fernando Brant, com reconhecimento dos amigos inesquecíveis que partiram para outro plano espiritual . Seus nomes foram  citados e saudados pela expressão PRESENTE. E foi com os olhos marejados e a voz embargada que fiz esta saudação pois entre estes que se foram está meu amado irmão José Carlos. Tenho em minha memória os dias de leitura dos textos do personagem  que  ele ia interpretar, os debates calorosos com a Clarice Jorge, José Maria e  Miguel Colella.

A seguir Milton Feliciano e  Flávio Viana  relembram o início do TEM, sua trajetória de glórias e sufocos vividos na época da ditadura que imperava em nosso país e a senhora censura a podar suas obras, porém o sonho não se sucumbiu. O desejo dos jovens de ensinar por meio do teatro o que há de melhor na cultura, como foi citado por Miguel Colella, persistiu e resistiu através de novos ensaios de outras peças de drama e comédia. E assim, passo a passo, foram relembradas diversas apresentações entremeadas com as músicas e representações de algumas cenas.

Me encantei com as jovens atrizes do grupo TWL- Ousadia, representando “A Bruxinha que Era Boa”. Ver as netas de Miguel Colella vibrando e cantarolando a canção do vovô: “Vamos Fazer Bruxaria” fez meu o coração vibrar.

Ri muito com os jovens do grupo Protuberância  que encenaram “Um deus Dormiu Lá em Casa”.

E a cena de “As Sabichonas” o que falar ????   Dar o parabéns para a velha trupe do TEM pelo fôlego e representação  é pouco. Segue-se os aplausos e mais aplausos.

“Se Tivéssemos Tempo” foi de marejar os olhos com as lágrimas de saudades de meu pai e minha mãe ao ver aquele caminhar do ator e ouvir a canção ao final da cena. E precisei respirar fundo e pausadamente para segurar as emoções , pois o espetáculo ia continuar.

E eis que a primeira parte do show é encerrada magistralmente com a velha trupe do TEM encenando  “Morte e Vida Severina” . E  assim demonstram a razão de se comemorar este Jubileu de Ouro.

O show continua em sua segunda parte com as músicas compostas pelos componentes do TEM: Chuço o boi , Andei , Pierrot , Maria Zóio de Prata , Estrela , Glória , Objeto , Amar(te) , Canção do Artista.

Fiquei com o gostinho de quero mais , quero mais…. Quero a criação do Coral TEM , quero ver a velha trupe apresentar no Teatro Municipal “As Sabichonas”

Quero ouvir novas canções de nossos amigos Miguel Colella e Milton Feliciano.

Quero que esses jovens talentos dos grupos Ousadia e Protuberância sigam adiante e ter a oportunidade de também comemorar o Jubileu de Ouro.

Quero que a CULTURA & AMIZADE continuem vivas, e ensinando todos os cidadãos o que existe de belo na humanidade.

Bravo ! Bravo! E oxalá podermos nos reencontrar em novas comemorações.”

TEM comemorou 50 anos com grande show no Vasques

O TEM (Teatro Experimental Mogiano) comemorou, no dia 15 de novembro, seus 50 anos de existência e marcou a data com um grande show no Teatro Vasques. O Show dos 50 anos foi preparado durante alguns meses e teve a participação de cinco grupos teatrais de Mogi que se encarregaram de apresentar trechos de algumas das peças encenadas pelo TEM nos anos 60 e 70. Participaram do espetáculo, que uniu poesia, música, teatro e história, os seguintes grupos: TPE (Teatro Paulista dos Estudantes), Grupo Teatral Protuberância, Grupo Teatral TWL Ousadia, Tumc (Teatro da Universidade de Mogi das Cruzes), Grupo Teatral Palco e Arte e integrantes da velha e nova geração do próprio TEM.

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Todos no palco para comemorar os 50 anos do TEM

 

Alguns fundadores da trupe que comemorou o jubileu de ouro fizeram a apresentação, comentários e contaram, por meio de músicas e cenas de peças que integraram o repertório do TEM, a história da criação, trajetória, prêmios e lutas dos estudantes que montaram e deram vida a um dos mais antigos grupos teatrais amadores do país.

O TPE (Teatro Paulista dos Estudantes) apresentou a primeira cena ensaiada pelo TEM, em 1965, do texto Tiradentes em Tempos de Inconfidência, de Milton Feliciano, e que foi proibido pela censura da época. Ela incluia a expressão “jogar arena”, tirada da famosa peça Arena Conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, que inspirou alguns estudantes mogianos a formar o TEM.

cena de Tiradentes TPE

Cena de Tiradentes em Tempos de Inconfidência com o TPE

 

O grupo Protuberância, da Etec Getúlio Vargas, apresentou a cena de Um Deus Dormiu Lá em Casa. Uma parte de As Sabichonas teve direção da atriz Amair Campos Padgurshi com participação de diversas pessoas, como ela e da velha guarda do TEM.

Algumas músicas compostas por integrantes do grupo, como Miguel Collela Neto, Marco Antonio Nahum, Orivaldo Lopes e Toninho Ferreira foram destaque no Show dos 50 anos e ilustraram cenas de peças como a que foi encenada pelo TWL Ousadia que fará A Bruxinha Que Era Boa. Também houve holofotes para uma cena de A Ver Estrelas, texto infanto juvenil de João Falcão, no qual a nova geração do TEM já apresentou a peça fazendo com que a platéia acompanhasse a ação, seguindo a história se deslocando por um casarão.

 

todos no palco show TEM

O show contou a história do grupo com muita música

Outra grande atração do espetáculo foi a apresentação de um trecho da peça Se Tivéssemos Tempo, de Nelson Albissu, autor que entrou para o TEM pelas mãos de Clarice Jorge, em 1985, com os atores Gil Fuentes e Maria Amélia Montoni Guedes.

O espetáculo foi dividido em duas partes e durou três horas.

 Nas fotos abaixo, fundadores e integrantes do TEM logo após o show; composições de Orivaldo Lopes e Miguel Colella Neto foram ouvidas; cena de As Sabichonas e atores do coral do TEM

 

Mais comemorações

Os 50 anos do TEM também foram comemorados na 2ª Flisi- Feira Literária Serra do Itapety, na manhã do mesmo dia 15, no Parque Centenário. Lá, às 9h, no espaço Cidade Irmãs, houve a premiação do Concurso Literário do Jubileu de Ouro aos selecionados nas categorias poesia, crônica e conto. Os cinco vencedores de cada uma delas tiveram seus trabalhos compilados em um livro que foi lançado na mesma solenidade. Eles são de várias partes do país e podem ser conhecidos neste blog em matéria publicada no dia 4 de setembro de 2015.

Quem quiser adquirir o livro pode solicitar pelo email tem.literatura@gmail.com. Cada exemplar custa R$ 15.

Nahum falou pelos homenageados da noite

O fundador do TEM e desembargador aposentado Marco Antonio Rodrigues Nahum falou em nome de todos os homenageados do grupo pela Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, na noite do dia 6 de novembro, quando eles receberam um diploma de Honra ao Mérito pela trajetória de sucesso e contribuição à cultura da cidade em seus 50 anos de existência.

 

nahum discursando homenagem

O discurso de Nahum foi o seguinte:

“Senhor Presidente,

Antes de qualquer palavra, gostaria de registrar o meu particular júbilo por representar, neste momento, os homenageados da noite. Américo Yoshinaga, Armando Sérgio da Silva, Clarice Jorge, Eládia Morales, Flavio Benedito Viana, Jonas Cardoso Pereira, José Cardoso Pereira, Lauro Juk, Marco Antonio Rodrigues Nahum, Miguel Colella Neto, Milton Feliciano de Oliveira e Nelson Júdice Muniz, assinaram a ata de fundação do Teatro Experimental Mogiano – TEM.

Em verdade, tenho para mim, sem qualquer falsa modéstia, que a minha assinatura nessa ata de fundação do TEM significa, apenas, que o destino reservou-me a oportunidade de testemunhar um momento especial de estruturação histórica e cultural de nossa cidade.

Também é necessário registrar que, antes de tomarem este importante ato da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes como uma homenagem individual, os fundadores entendem que se trata de uma honraria prestada a uma coletividade de mogianos idealistas que, desde 1965, direta ou indiretamente, contribuiu para promover a arte e a cultura não só como objetivos do TEM, mas, acima de tudo, como objetivos de uma política cultural do município voltada para a interação das relações entre a administração pública municipal e os vários setores da sociedade civil ligados à cultura como fonte criativa de desenvolvimento.

Sim. Todos nós sabemos que o passado estratifica o futuro. E, no caso, naquele momento, os estudantes que hoje recebem esta homenagem, geravam um movimento de arte e cultura que, além de contribuir na formação intelectual de vários mogianos, traziam para a cidade idéias da vanguarda cultural do momento. Desta forma, contribuíram, sem qualquer dúvida, com a estruturação histórica e o desenvolvimento cultural de nossa cidade e, tão importante quanto, contribuíram com a luta que se desenvolvia para a retomada da democracia em nosso país.

Por isso, esta homenagem, para nós, ainda se estende àqueles que também cooperaram com os ideais do TEM mas que, quis o destino, os perdêssemos no meio do caminho: Sérgio Roberto Correia; Antonio Benetazzo; Eduardo Unello; José Ralf e Walter Padgurschi.

Os dois primeiros, penso eu, foram assassinados covardemente.

Eram anos negros para a história da democracia do Brasil, mas, em contrapartida, eram anos de uma atividade e produção intelectual extraordinárias. Movia-os saber que, “embora longínqua, havia a claridade de uma aurora”, como dizia Vinicius de Moraes, em “Mensagem à poesia”.

Teatro, música, literatura, a arte de declamar, fazer poesia, entre outros, eram armas utilizadas pela juventude na busca de liberdade democrática para nosso país.

Era comum encontrarmos jovens mogianos a presenciar espetáculos de arte em São Paulo. E, numa dessas excursões, ao assistir e se impressionar com a peça “Arena Conta Zumbi”, Milton Feliciano e outros estudantes resolveram montar uma peça teatral semelhante sobre a Inconfidência Mineira.

Após redigir o texto, Milton o apresentou a um grupo de jovens que se reuniu na casa do Jonas e José Cardoso para a leitura. Ali nasceu, com registro em ata, o TEM. Naquele momento os homenageados de hoje estavam reunidos em torno de um ideal que completa 50 anos.

Para que a cidade tomasse ciência, naquela época, a mensagem do TEM veio num jornal efêmero, lançado na ocasião, e que se denominava “O Bico”. Dizia em seu primeiro número: “Aqui estou. Ninguém me esperava, eu sei, acontece que eu sempre gostei de surpresas. Surjo modesto, mas se puder contar com vocês, tenho certeza de que em breve crescerei…”.

A surpresa acabou por agitar intelectualmente a cidade. Os ensaios eram frequentados por muitas pessoas que iam ao local apenas para assistir. Talvez tivessem a premonição de que não podiam perder momentos de uma das histórias mais ricas e profícuas de nossa cidade.

Aqueles jovens, por meio da arte, fizeram sorrir, chorar e se emocionar, ao mesmo tempo em que também sorriam, choravam e se emocionavam.

Aliás, no dizer do poeta espanhol George Santayana, “O moço que não chorou é um selvagem, e o velho que não quer rir é um tolo”.

Os integrantes do TEM choram e riem, porque nunca foram selvagens. Suas obras sempre invocaram uma plataforma emancipatória voltada à dignidade humana. E tampouco são tolos. Riem de felicidade após 50 anos de vida cultural impar.

As honrarias que conquistaram durante a vida não os fizeram perder a sensibilidade e o encanto pela arte, as emoções e as fantasias da mocidade geradora do TEM.

Por isso, essa geração ainda me faz crer que, se um dia o computador conseguir pensar, jamais conseguirá sonhar, como o fez essa juventude hoje homenageada.

Sonhos de um Brasil grandioso, principalmente humano e culto.

Por isso, tenho certeza que a história do TEM não ficará por aqui.

Eles sempre tiveram para si o poema de Robert Frost: “A mata é linda, escura e infinita. Mas, antes de dormir, tenho léguas a percorrer e promessas a cumprir”.

Se ainda não somos um município essencialmente cultural, durante as léguas que têm a percorrer, os integrantes do TEM deixarão um legado cultural e artístico de ideais democráticos que se caracterizam, principalmente, pela dignidade do homem como valor intrínseco à condição humana e à democracia.

Neste sentido, os mogianos do futuro, direta ou indiretamente, ainda beberão por muito tempo nas águas de cultura do TEM.

Seus fundadores e integrantes fazem-me lembrar uma correspondência, citada num livro sobre história das religiões, de um soldado preso e condenado à morte durante a 2ª Guerra Mundial para sua mãe. Na sua derradeira carta ele escreveu: Apresentei-me diante de um Tribunal Militar e fui condenado à morte. Sei que você é uma mulher forte e conseguirá suportar tudo isso. Quero que compreenda que eu sou uma coisa muito insignificante, e como pessoa logo serei esquecido; mas a idéia, a vida, a inspiração de que estou imbuído continuarão a viver. Você as verá em todo lugar – nas árvores da primavera, nas pessoas que encontrar, num sorriso carinhoso”.

Tenho para mim que é esta a razão desta justa homenagem que a Câmara Municipal de Mogi das Cruzes presta aos fundadores e a todas as pessoas que contribuíram para a história do Teatro Experimental Mogiano, uma utopia que já alcança 50 anos.

Sim. Foi a utopia de 50 anos atrás que os uniu e os fez caminhar juntos nessa estrada de sonhos e realidade. A utopia os trouxe até aqui, até este momento especial, e com certeza ainda caminharão muito mais.

Na história do TEM se compreende a extensão das palavras de Eduardo Galeano: “A utopia está no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte se afasta dez passos. Por mais que eu caminhe, nunca a alcançarei. Então, para que serve a utopia? Serve para isso: serve para caminhar.”

Caminhar 50 anos, Sr. Presidente. Muito obrigado em nome de todos os integrantes do TEM.